quinta-feira, 18 de abril de 2013

O que penso sobre a maioridade penal...

Este não é exatamente um post para falar se sou a favor ou contra a maioridade penal. De verdade, não acho que esta seja uma questão relevante. Discutir isso é como chover no molhado. Não importa se vão passar a prender crianças de dez anos, e mesmo assim, é lastimável que crianças de dez anos estejam cometendo crimes. Violências, abusos, crianças que roubam, policiais que matam... tudo isso é comum a esta sociedade e os remédios que buscam para sua própria doença pouco me importam. O que me interessa mesmo é discutir como vamos mudar tudo isso e não que tipo de paliativo será aplicado para manter tudo como sempre.

Ninguém em sã consciência pode acreditar que presídios cheios de pequenos delinquentes trarão paz à  sociedade. Mas há aqueles que querem acreditar que sim, que basta atacar os sintomas para sanar a doença. E enquanto submersos na própria mesquinhez de ideias, tomados pelo revanchismo do tipo olho por olho dente por dente, esquecem-se de pensar que se não mais serão vítimas dos pequenos infratores que querem trancafiar, continuarão a ser de um trânsito caótico, da corrupção, da falta de amor, da fome, do câncer e de tantos outros males que afligem a sociedade moderna.

É fácil pensar a questão do ponto de vista pequeno-burguês, onde abundam os argumentos prós e contras. Difícil, e talvez impossível para a maioria, é adotar uma visão global do problema, fazendo uma reflexão profunda sobre a maneira como escolhemos viver nesta sociedade. Tudo que se quer é passear numa BMW sem o importuno de trombadinhas no semáforo. Não importa que isto custe a vida inteira de um ser humano na prisão.

Me recuso a discutir "maioridade penal". Quero discutir o que dar sustentação a um mundo que se perdeu desvairadamente, a ponto de acreditar em 'soluções' como pena de morte, prisão perpétua, cárceres infantis... Dizer sim ou não a maioridade penal é dar continuidade ao ciclo vicioso de um sistema que fabrica monstros para depois puni-los.

Apenas sádicos e masoquistas podem sentir-se refastelados com um modo de vida onde seres humanos encarceram-se uns aos outros.

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